A capacidade do arquiteto de contribuir para a requalificação da vida das pessoas nas mais diversas situações: frente a um planeta prestes a entrar em colapso ecológico; pós-tragédias naturais em grandes cidades ou pequenos vilarejos; em regiões de fronteiras nacionais e culturais; em contextos caracterizados pela informalidade. Estes temas, que estruturarão algumas das discussões do Congresso Mundial dos Arquitetos - que será realizado em julho de 2020 no Rio - também estão presentes na Bienal de Veneza deste ano, que acontece até 25 de novembro.

 

 

Presidente nacional do Instituto dos Arquitetos do Brasil e um dos curadores do Congresso Mundial de Arquitetos de 2020, Nivaldo Andrade voltou há poucos dias da cidade italiana e destaca para o site UIA 2020 Rio alguns dos projetos que mais representam as discussões que fazem essa ponte entre o que vai ser debatido no congresso daqui a dois anos e o que vem rolando em Veneza.

- Vários países em seus pavilhões - e também vários projetos selecionados pelas curadoras Shelley McNamara e Yvonne Farrell - abordam temas muito próximos do que nós estamos propondo – diz Nivaldo, que, nos últimos 20 anos, visitou quase todas as edições da Bienal e tem um olhar apurado para tudo o que é apresentado no evento.

A seguir, os destaques de Nivaldo Andrade:

 

1. Um dos quatro eixos do UIA2020RIO é “Transitoriedades e Fluxos”, e uma das questões que pretendemos discutir são as fronteiras e migrações. Este é um ponto central do Pavilhão da Alemanha, que apresenta diversos espaços nas antigas fronteiras entre Alemanha Oriental e Ocidental, contando a história de como esses espaços foram recosturados depois da reunificação.

Aparece ainda, com bastante destaque, no Pavilhão dos Estados Unidos, que traz o trabalho Mexus (uma mistura de Mexico e United States) – parceria do arquiteto Teddy Cruz com a cientista política Fonna Forman. A dupla não vê a polêmica fronteira entre os dois países como uma linha divisória e sim como uma região única que compartilha cultura, economia e meio ambiente. No projeto, eles apagam a estreita fronteira política e criam uma nova região fronteiriça de cerca de 400km²: Mexus!

2. Outro eixo do Congresso Mundial de 2020 é “Mudanças e Emergências”, e dentre as mudanças que mais impactam o mundo hoje estão, indiscutivelmente, as climáticas. Este tema está presente tanto no Pavilhão dos Estados Unidos como no da China. Mas de maneiras bem diferentes. Os Estados Unidos apresentam vários projetos que lidam com esta questão e discutem como nós, arquitetos, podemos agir em um planeta em risco de colapso ecológico. Já a China apresenta diversos projetos de reconstrução pós-terremoto, que trazem, por exemplo, edifícios que, do ponto de vista estético, fazem referências à arquitetura tradicional, mas que foram construídos com estruturas metálicas – mais resistentes e de montagem mais rápida. Um exemplo de como o arquiteto pode resolver problemas causados por desastres naturais.

3. Ainda no eixo “Mudanças e Emergências”, outro tema que discutiremos no Rio são as transformações sociais que têm promovido novas formas de produzir arquitetura. O Pavilhão da França traz trabalhos muito interessantes que mostram a requalificação de edifícios abandonados, em todo o país. Os projetos foram desenvolvidos por coletivos formados por arquitetos e com a participação ativa de outros atores sociais, inclusive os futuros usuários daqueles espaços - dando uma nova dimensão ao trabalho do profissional, que nos interessa muito discutir no Congresso.

4. Outro dos quatro eixos do UIA2020RIO é “Diversidade e Mistura” e uma das questões que pretendemos discutir é a diversidade cultural que caracteriza as cidades contemporâneas e como isso se reflete na produção da arquitetura. O Pavilhão de Israel analisa diversos projetos realizados ao longo dos últimos 40 anos para áreas do país que são sagradas tanto para os muçulmanos, como para os judeus e os cristãos e como esses projetos tentaram lidar com essa diversidade cultural e com os diferentes significados que esses espaços possuem para cada um desses grupos.

5. Outro eixo do Congresso Mundial é “Fragilidades e Desigualdades”, que pretende, dentre outras questões, discutir o papel do arquiteto na qualificação de vida das pessoas em contextos de precariedade e informalidade. O Pavilhão do Egito fala da informalidade como ordem urbana alternativa e mostra as ruas do Cairo como exemplo de que essa informalidade é algo inerente à cidade e que deve ser compreendida como parte da solução para os problemas que o espaço urbano apresenta, e não como problema.

 

 

 
 
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